Você acredita em anjos?



Infantil, sem jeito e até clichê esta é uma pergunta que ela se fazia de tempos em tempos. Geralmente as pessoas fazem tais perguntas em momentos de desespero ou aflição no caso dela há quem diga que era um destes momentos embora a seu ver era só um momento de reflexão introspectiva.

Ela, que sempre foi uma criança mesmo que crescesse a cada dia, que corria atrás de borboletas e ainda se maravilhava a cada novo filme da Disney. Nas intempéries do destino viu diabos vestidos de anjos,  borboletas desbotando e filmes da Disney tornando-se mundo imaginário.

Embora perdesse a idealização do seu mundo vendo-o ruir e dando lugar ao mundo cinza da realidade, a pergunta perdurará estampada nos estilhaços deste mundo em ruínas. Infantil, desajeitada e difícil, sua personalidade frágil tornou-se forte e diante da dúvida sobre os anjos ela só queria ser feliz com eles ou não.

Pintando seu mundo de cor de rosa, atraiu a atenção de um anjo e escondido atrás da forma humana tão comum e discreta ele se aproximou da menina-mulher. Cauteloso e calmo foi descobrindo o poder daquela doce e inquietante menina e ela em contrapartida aquietando-se diante de tamanha beleza e simplicidade. Em meio aos estilhaços de seu mundo idealizado, sua questão foi respondida. Não era preciso ter asas para ser anjo, apenas  o dom de faze-la sorrir.

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